Já sentiu uma queimação na altura do peito após
comer? Ou mesmo aquela sensação de que a comida está voltando? Normal. Todos, uma hora ou outra, passam
por isso e muitas vezes não percebem. O problema é quando essa sensação é muito
recorrente e causa irritação e desconforto. Quem nos explica sobre a doença do
refluxo é o médico gastroenterologista do Grupo Hospitalar Conceição, Ângelo
Zamzam Mattos.
O refluxo ocorre
quando o ácido produzido no estômago sobe para a região do esôfago. “O estômago
tem um revestimento interno que está preparado para esse nível de acidez, mas o
esôfago não. Quando o ácido sobe ao esôfago provoca uma inflamação que gera uma
queimação e aquela sensação de que o conteúdo gástrico sobe até a boca”,
explica Ângelo Mattos.
“Se eu deitar após
me alimentar sinto um desconforto. Dá uma tosse e uma queimação”, narra Ruth
Leite Gomes, de 36 anos. A administradora hospitalar descobriu o refluxo há
quatro anos. Chegou a tomar a medicação e com a melhora, logo suspendeu o
remédio. Porém, faz um mês que o refluxo voltou obrigando-a a tomar os remédios
novamente. “A tosse já deu uma melhorada. Ainda sinto um pouco de azia e mesmo
que não esteja deitada tenho a sensação que vou vomitar”, conta Ruth.
Ângelo explica que
muitas podem ser as causas do refluxo. Desde alterações anatômicas e da função
da musculatura entre o esôfago e o estômago, até comportamentos que facilitam o
refluxo em pessoas predispostas. “O tabagismo, o alcoolismo, o consumo excessivo
de alimentos gordurosos, alimentos muito ácidos ou muito picantes. E algumas
substâncias como café, chá, chimarrão, bebidas com gás e chocolate. Esse tipo
de substância aumenta a possibilidade de refluxo porque diminui a força do
musculo que se propõe a segurar o ácido dentro do estomago”, argumenta o médico
Ângelo.
Refluxo grave – Existem ainda outros sintomas que, segundo o médico, podem ser
indicio de uma maior gravidade da doença. Como a dificuldade de ingerir
alimentos, alteração do timbre da voz, vômito com sangue, sangue nas fezes,
fezes negras como piche, anemia ou perda de peso. “Fundamentalmente esses
seriam o que chamamos de sinais de alarme”, ressalta Ângelo. São sinais que
podem indicar, por exemplo, uma úlcera de esôfago ou até um câncer.
“O refluxo de longa data
pode levar a uma condição chamada esôfago de Barret, é uma condição pré-maligna
que facilita a condição do câncer de esôfago”, explica. Às vezes a pessoa já
tem os sintomas e não percebe, e quando vai se preocupar já está com uma lesão
mais agravada. “Esses sintomas mais graves geram a necessidade de investigação
mais rápida”, completa.
Recomendações – Dr. Ângelo alerta, ainda, que é importante que as pessoas
consultem um médico para definir as recomendações e o tratamento mais adequado,
que varia de caso a caso. Embora algumas recomendações mais gerais possam ser
feitas. “Evitar grandes refeições, muito volumosas. Preferir várias pequenas
refeições durante o dia. Depois de comer, esperar ao menos duas horas para se
deitar. Evitar roupas muito apertadas. Para quem tem muito refluxo à noite, a
elevação da cabeceira da cama pode ajudar”, sugere o gastroenterologista.
Tratamento - “Baseia-se fundamentalmente na classe de medicamentos chamada
‘inibidores da bomba de prótons’. Na grande maioria dos casos o paciente fica
muito bem com o tratamento medicamentoso”, conta o Dr. Ângelo Mattos. Ele
explica que somente em algumas situações excepcionais a cirurgia é necessária.
O gastroenterologista
insiste que o refluxo é uma doença complexa e, por isso, é importante que o
paciente não se automedique e procure um médico para não deixar de fazer um
diagnóstico de algo mais grave, como câncer de esôfago.
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Fonte: http://www.blog.saude.gov.br/


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