A hipertensão arterial, conhecida
popularmente como pressão alta, é uma das doenças mais comuns em todo mundo,
acometendo cerca de 1 a cada 5 pessoas. Em muitos países, mais da metade da
população acima de 60 anos é hipertensa.
Neste artigo vamos focar nos
sintomas da hipertensão arterial. Se você está à procura de mais informações
sobre pressão alta, acesse nosso arquivo de textos sobre hipertensão: Hipertensão arterial
O
que é pressão arterial? O que é hipertensão?
Antes de seguirmos com os
sintomas da hipertensão arterial sistêmica, uma breve explicação para o leitor
entender conceitos básicos.
A pressão arterial é a pressão
que o sangue dentro das artérias exerce sobre suas paredes.
A pressão arterial
é pulsátil, ou seja, aumenta a cada batimento do coração e reduz quando o mesmo
relaxa. Sístole é o nome dado à contração do músculo cardíaco, portanto,
pressão sistólica é a pressão arterial durante cada batimento do coração.
Diástole é o breve momento de relaxamento do coração entre cada batida. Logo,
pressão diastólica é a pressão arterial durante a fase em que o músculo
cardíaco está relaxado.
A pressão arterial é medida
nestes dois momentos, por isso, é descrita sempre com dois valores, conhecidos
como pressão máxima e pressão mínima. Na verdade, como acabamos de ver, o nome
correto é pressão sistólica e pressão diastólica. Portanto, uma pressão de
110/70 mmHg* significa uma pressão sistólica de 110 mmHg e uma pressão
diastólica de 70 mmHg.
* mmHg é a sigla para milímetros
de mercúrio, que é a unidade padrão para aferição da pressão arterial.
Os valores da pressão arterial
são classificados da seguinte maneira:
Pressão arterial normal: valores
menores ou iguais a 120/80 mmHg
Pré-hipertensão: valores entre
121/81 – 139/89 mmHg
Hipertensão grau I : valores
entre 140/90 – 159/99 mmHg
Hipertensão grau II: valores
maiores ou iguais a 160/100 mmHg
O nosso organismo foi moldado
para trabalhar com pressões arteriais ao redor de 120/80 mmHg. Quando nossos
vasos e órgãos são expostos a um aumento crônico da pressão arterial, ou seja,
à hipertensão, existe um grande risco de lesões nos mesmos, principalmente no
cérebro, coração, rins e olhos.
Sintomas
da hipertensão arterial
A hipertensão arterial é uma
doença perigosíssima, pois possui uma característica: ela não provoca
sintomas na imensa maioria dos casos. Não é à toa que ela é chamada de
“a assassina silenciosa”.
O simples fato da pressão dentro
das artérias se elevar não é suficiente para provocar sintomas. Os sintomas da
hipertensão arterial só surgem tardiamente, depois que algum órgão já estiver
com grave lesão. Na verdade, nestes casos, não são os sinais ou sintomas da
hipertensão que sentimos, mas sim sinais e sintomas das consequências de anos e
anos de hipertensão não tratada adequadamente, como, por exemplo, sintomas da
insuficiência cardíaca, do AVC ou da insuficiência renal.
Por isso, todas as pessoas devem
ter sua pressão arterial aferidas pelo menos uma vez a cada dois anos. Se você
nunca procurar saber com anda sua pressão arterial porque acha que algum
sintoma irá alertá-lo sobre o problema, saiba que você pode estar neste momento
com a pressão elevada, sofrendo danos em órgãos vitais.
Reforçando o conceito mais
importante deste texto: se você não medir a sua pressão arterial é IMPOSSÍVEL
saber se ela está normal ou alta.
Mitos sobre os sintomas da
hipertensão
Infelizmente alguns mitos sobre a
hipertensão estão tão infundidos entre a população, que mesmo a palavra do
médico não consegue convencer o paciente do contrário. É impressionante a
quantidade de pessoas que juram saber reconhecer quando a sua pressão arterial
está elevada. Vamos dissecar alguns destes mitos:
Dor de cabeça ou dor na nuca são
sintomas de pressão alta?
Este talvez seja o maior mito em
relação à hipertensão. É extremamente comum o paciente relacionar uma dor de
cabeça a uma elevação da sua pressão arterial. Vamos aos fatos.
Todo paciente com dor,
principalmente se de forte intensidade, apresenta uma pressão arterial acima
dos valores habituais, seja ela dor de cabeça. dor de barriga ou dor no dedo do
pé. Portanto, é lógico que o paciente vai sempre notar que sua pressão está alta
toda vez que tem uma dor de cabeça forte. O problema aqui é confundir causa,
com efeito.
A pressão arterial só pode ser
considerada culpada pela dor de cabeça quando atinge níveis muito elevados,
geralmente acima de 200 mmHg de pressão sistólica e/ou 110 de pressão
diastólica.. Pacientes com pico hipertensivo, ou seja, elevações súbitas da
pressão, muito acima do que é habitual, são geralmente aqueles em que é
aceitável associar uma dor de cabeça a um descontrole da pressão arterial.
Aqui cabe mais uma ressalva, se o
paciente tem hipertensão grau II mal controlada há meses, ele pode nada sentir
mesmo com valores exorbitantes como 220 a 240 mmHg de pressão sistólica.
Conclusão: dor de cabeça ou dor
na nuca não são sintomas confiáveis de hipertensão arterial.
Nervosismo e ansiedade são
sintomas de hipertensão arterial?
Outra associação muito comum é
entre crises de ansiedade e hipertensão. A lógica é a mesma da dor de cabeça. É
óbvio que toda pessoa nervosa vai ter sua pressão arterial mais elevada. Mas é
a ansiedade que aumenta a pressão e não a pressão alta que provoca uma
ansiedade. Aquela história: “fulaninho anda muito nervoso ultimamente. Isso
deve ser pressão alta”, não tem nenhuma base científica.
Porém, mais uma vez, a crise
hipertensiva é uma exceção. Em alguns casos, principalmente em pacientes já com
coração fraco, um pico hipertensivo grave e súbito (pressões acima de 200 mmHg
de sistólica) pode causar um maior esforço para o coração, levando a sintomas
com cansaço e falta de ar, que podem provocar muita ansiedade em pessoas mais
sensíveis.
Conclusão: nervosismo e ansiedade
não são sintomas confiáveis de hipertensão arterial.
Sangramento nasal é sinal de
pressão alta?
O sangramento nasal é outro
sintoma frequentemente associado à hipertensão, mas também que ocorre somente
em selecionados casos. Há trabalhos que mostram que apenas 15% dos pacientes
que procuram uma emergência por descontrole da pressão arterial apresentam
sangramento nasal. Ou seja, 85% dos pacientes, mesmo com crise hipertensiva, não
sangram do nariz.
Existem dezenas de causas para
sangramento nasal, por isso, antes de culpar a hipertensão, se o seu nariz
sangra com frequência, procure um otorrinolaringologista, pois é possível haver
outra causa para este problema.
Conclusão: sangramento nasal não
é um sintoma confiável de hipertensão arterial.
Tontura é sintoma de hipertensão?
Tonturas não são um sintoma
habitual de hipertensão. Na verdade, os pacientes hipertensos já sob tratamento
costumam ter tonturas não como sintoma de elevação da pressão, mas sim como
efeito colateral dos medicamentos, principalmente quando a pressão cai muito
rapidamente.
Se a pressão subir muito e
subitamente, e aqui estamos falando de valores acima de 200-220 mmHg de pressão
sistólica, é possível que o paciente refira algum grau de tontura ou sensação
de cabeça leve. É importante salientar que picos hipertensivos podem ocorrer
nos quadros de AVC (leia: 7 SINTOMAS DO AVC) e
a tontura é um sintoma comum desta complicação.
Conclusão: tontura não é um
sintoma confiável de hipertensão arterial.
Ondas de calor e vermelhidão
facial são sintomas de pressão alta?
O aumento da pressão arterial não
provoca calores nem deixa a face mais avermelhada.
O rubor e o calor facial ocorrem
quando os vasos sanguíneos se dilatam no rosto. Este quadro pode surgir por
diversos fatores, tais como exposição ao sol, calor, frio, alimentos picantes,
vento forte, bebidas quentes, reações a produtos de pele, stress emocional, consumo
de álcool ou exercício físico, todos eles situações que podem causar alterações
da pressão arterial temporariamente.
Conclusão: Calor e rubor facial
não são sintomas confiáveis de hipertensão arterial.
Considerações finais
O que queríamos passar neste
artigo é a noção de que, em mais de 90% dos casos, a hipertensão arterial é uma
doença silenciosa, que pode estar presente durante anos sem provocar nem sequer
um sintoma.
Quando os sintomas ocorrem,
geralmente estão relacionados a crises hipertensivas, com aumentos importantes
e súbitos da pressão arterial, situações que não são frequentes na maioria dos
pacientes hipertensos.
Portanto, se você não mediu sua
pressão arterial recentemente, é impossível estimar o seu valor. E se você não
mede sua pressão arterial de tempos em tempos, pode estar sofrendo lesões de
órgãos nobres, que levarão no futuro a doenças graves.
AVISO: Ao reproduzir este texto,
favor não retirar os links do mesmo.
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