domingo, 11 de setembro de 2016

"Unidade Básica" mostra o SUS que não se vê na TV

No próximo dia 11 de setembro de 2016 estreia pelo Universal Channel o primeiro medical drama brasileiro, “Unidade Básica”. Diferenciando-se das inúmeras séries americanas deste gênero, que retratam histórias sobre a vida dos profissionais médicos numa emergência hospitalar, ou, de uma forma geral, em ambiente hospitalar, esta inova. E como!

 Pra início de conversa, é nova a senda narrativa escolhida, partindo da realidade do campo da Saúde Coletiva. Estamos assim diante de uma escolha nada inocente e produto de outra ordem simbólica, bem diferente do plano por onde se movem as produções televisivas hoje.

“Unidade Básica” insere os serviços e equipamentos públicos de saúde no campo das séries médicas, território ficcional dominado pela presença de hospitais privados, trazendo às telas de tv a disputa entre a visão hospitalocêntrica, de tratamento à doença instalada, e e os cuidados primários à saúde, mais focada na prevenção e na promoção à saúde. Dentro da série, há um certo embate entre as medicinas de família e comunidade, e as subespecialidades, através das personagens representadas pelo ator Caco Ciocler (Dr. Paulo) e pela atriz Ana Petta (Dra. Laura). Mas, assim como no Brasil o setor privado de saúde é suplementar ao público, e a atenção hospitalar é complementar à atenção básica, ao longo da série veremos que não há polos, mas concepções (e pessoas) que se relacionam.

Se em “House”, “ER”, “Grey's Anatomy”, entre outras séries sobre a rotina de equipamentos de saúde, o foco é mais voltado aos dilemas pessoais e profissionais dos médicos, em “Unidade Básica” temos um aprofundamento das discussões sobre os conflitos dos cidadãos. Fugindo do clichê biomédico, que aborda muitas vezes o sujeitos apenas pela sua doença, em “Unidade Básica” o atendimento é focado na saúde, e em trazer para a cena principal a vida das pessoas. O nome dos pacientes dá o título a cada um dos episódios e a relação entre os profissionais e os usuários do SUS é o que conduz a narrativa da série.

 Abordar o trabalho em saúde como uma composição entre usuários e trabalhadores de saúde não é trivial. Encontrar-se no espaço da mesma rede social, composta por usuários e trabalhadores de um território comum, favorece a produção de cidadania e vínculos terapêuticos. A série mostra esta mistura de um modo belo e forte. A cena de abertura não é outra senão um mapa do território coberto pela UBS.

 Assista a série e comente aqui conosco. Venha pra nossa praça pública, a RHS, conversar e compor com todos os diferentes olhares que esta bela produção há de construir. Juntos!





-Eduardo Albuquerque

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