Por que o sarampo parece
estar "renascendo"?
Depois de solicitar à
Organização Mundial da Saúde o certificado de erradicação do sarampo, o Brasil
registrou, em 2013, 201 casos da doença.
Esse número foi cinco
vezes maior do que o surto detectado em 2011 (42 casos) e 100 vezes maior do
que os números de 2012 (2 casos). Em 2014, já são 74 casos notificados, todos
eles localizados no Ceará (70) e Pernambuco (4).
Metade desses casos foi
detectado em menores de 1 ano de vida e a maioria entre pessoas sem esquema
vacinal completo.
O sarampo é causado por
um vírus chamado morbillivírus. É uma doença infecciosa, viral e muito comum na
infância.
O vírus do sarampo é
altamente contagioso, com a transmissão dando-se por secreções das vias
respiratórias, como gotículas eliminadas pelo espirro ou pela tosse de pessoas
infectadas.
O período de incubação,
ou seja, o tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, é de cerca de
doze dias e a transmissão pode ocorrer antes do aparecimento dos sintomas e
estender-se até o quarto dia depois do aparecimento das placas avermelhadas na
pele.
Leonardo Menezes,
pediatra da Fiocruz, esclarece algumas dúvidas sobre o sarampo e os riscos
verificados nestes últimos surtos.
Quais os principais
sintomas do sarampo?
Leonardo Menezes: Após o
período de incubação, o paciente pode desenvolver febre, tosse, conjuntivite
não purulenta (olho vermelho), fotofobia (incapacidade de olhar para luz) e
coriza (nariz escorrendo). Depois de dois a três dias, nota-se pequenas lesões
na mucosa bucal, também conhecida como manchas de Koplik. Essas manchas ficam
presentes entre 12 a 72 horas.
Outra característica da
doença é a manifestação do exantema (rash ou lesões vermelhas) no corpo,
começando pela região frontal (nuca ou porção posterior da cabeça)
espalhando-se pelos braços e pernas. Após três dias, as manchas se tornam
acastanhadas com descamação fina da pele.
A febre, habitualmente, é
alta (chegando a 40ºC) e tem pico entre o segundo e o terceiro dia do
aparecimento do exantema.
Quais as complicações da
doença e o tratamento adequado?
Menezes: O sarampo pode
ter complicações como: diarreia, vômitos, hemorragias, alterações neurológicas
(convulsões e encefalites), pneumonia bacteriana secundária e hepatite.
Não há tratamento específico
disponível. Existem alguns estudos com a utilização de Ribavirina em indivíduos
imunocomprometidos. Porém, essa medicação não é licenciada para o tratamento do
sarampo. A vitamina A deve ser oferecida em países subdesenvolvidos e em
pacientes desnutridos, uma vez, que a suplementação dessa vitamina reduz
complicações como pneumonia e diarreia nas populações que possuem deficiência
desses nutrientes.
É possível ter sarampo
por mais de uma vez?
Menezes: O sarampo produz
uma imunidade duradoura em indivíduos saudáveis. O esquema vacinal completo,
bem como, uma história pregressa da doença confere proteção ao paciente, não
permitindo novas manifestações clínicas quando em contato com o vírus numa
segunda oportunidade.
Como se previne o
sarampo?
Menezes: O sarampo é uma
doença de prevenção através da vacinação, conforme previsto no Programa
Nacional de Imunizações. A vacina do sarampo é recomendada aos 12 meses de
vida, por meio da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e aos 15 meses de
vida (reforço), com a tetraviral que protege a criança do sarampo, caxumba,
rubéola e varicela (catapora).
Em situações de surtos e
epidemias, podemos utilizar vacinação de bloqueio e imunização passiva, com
aplicação de imunoglobulina standard ou imunoglobulina venosa hiperimune,
sempre após o contato com casos suspeitos ou confirmados da doença ou conforme
determinação das autoridades de saúde, por meio de campanhas extraordinárias de
vacinação.
Existem recomendações
especiais para viajantes a áreas de surto ou epidemia?
Menezes: Os viajantes e
participantes de grandes eventos devem checar seus cartões de vacina. As
vacinas desatualizadas ou faltantes devem ser dadas dentro de um prazo de 15
dias antes da viagem ou evento.
As crianças de 6 meses a
1 ano, que viajarão para o Nordeste do Brasil, devem receber vacina tríplice
viral. É importante ressaltar que essa dose não interfere nas doses realizadas
dentro do calendário oficial.
Crianças menores de 6
meses devem evitar viajar para esses destinos.
--
Fonte:
http://www.diariodasaude.com.br/

Nenhum comentário:
Postar um comentário