Um
encontro no Rio neste mês reuniu três institutos federais de Saúde para
discutir um problema que pode levar à embolia pulmonar e ao acidente vascular
cerebral: a formação de coágulos nas veias da perna, conhecida como trombose
venosa profunda, e no coração, chamada de fibrilação atrial.
A
primeira Jornada Nacional Antitrombose, organizado pelo Instituto Nacional de
Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), o Instituto Nacional do Câncer e
o Instituto Nacional de Cardiologia, órgãos do Ministério da Saúde, reuniu
cerca de 300 participantes, entre estudantes, residentes e médicos.
O
coordenador do encontro, Salo Buksman, médico do Into, explica que já houve
três encontros no instituto ortopédico, mas que pela primeira vez, a jornada
conta com os institutos do câncer e de cardiologia, para debater um problema
comum às três áreas da medicina.
“A trombose venosa ocorre com muita frequência
no pós-operatório de cirurgias ortopédicas e também em situações de câncer, são
coágulos que se formam em veias das pernas, que têm o risco de se soltar e
encalhar no pulmão, provocando um quadro de embolia pulmonar, que é
potencialmente letal. Em relação à cardiologia, existe uma arritmia cardíaca
chamada fibrilação atrial, que provoca formação de coágulos dentro do coração,
que podem se soltar e provocar um acidente vascular cerebral ou uma gangrena”.
No
encontro, foram debatidas novas formas de tratamento e novas drogas
anticoagulantes que podem ajudar na prevenção da doença. Outro tema, segundo
Buksman, é a trombose que surge em decorrência de viagens aéreas prolongadas,
acima de seis horas de duração.
“Nós pretendemos alertar a população no
sentido de que se o passageiro tiver fatores de risco adicionais, além da
viagem prolongada, como idade mais avançada, obesidade, tabagismo, uso de
hormônio feminino, doenças cardíacas, insuficiência venosa crônica, varizes,
ele vai ter que consultar um médico para saber se tem a indicação de tomar um
remédio preventivo de trombose”.
Ele
lembra que, além do medicamento, indicado para quem tem algum fator de risco, a
população em geral também deve tomar algumas medidas preventivas durante voos
prolongados para evitar o problema.
“Evitar a bebida alcoólica, porque provoca a
desidratação, que favorece a trombose. Pelo contrário, procurar ingerir
bastante água, sucos, refrigerantes, para ficar hidratado, com isso a pessoa
vai mais ao banheiro e essa movimentação ajuda a fazer a circulação de sangue
pelas veias. São medidas, além do remédio, que podem atenuar os riscos”.
Após
o evento, os institutos pretendem divulgar uma carta de recomendações com os
temas discutidos no encontro, além de estatísticas sobre a doença. No Brasil, a
estimativa do Ministério da Saúde é que um ou dois habitantes a cada mil sofram
de trombose venosa profunda e embolia pulmonar.
A fibrilação atrial atinge cerca de 1,5 milhão de brasileiros e é
responsável por 20% dos casos de acidente vascular cerebral registrados no
país.
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Fonte
http://www.ebc.com.br
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