De cada mil crianças nascidas vivas nas
maternidades brasileiras, estima-se que entre uma e quatro apresentem perda
auditiva.
Já em Unidades de Terapia Intensiva (UTI)
neonatal, essa incidência aumenta para entre duas e quatro crianças a cada cem
nascidas vivas.
Isto torna a deficiência auditiva uma das
condições mais prevalentes em recém-nascidos.
Em 2010 foi sancionada a Lei Federal número
12.303, que tornou obrigatório e gratuito o "teste da orelhinha" em
todo o território nacional, a fim de ampliar o diagnóstico precoce de perdas
auditivas em crianças.
"A deficiência auditiva tem impactos
em todos os aspectos e fases da vida da criança, tais como na aquisição e
desenvolvimento da linguagem e na socialização", avalia Ana Cláudia Vieira
Cardoso, professora do Departamento de Fonoaudiologia da Unesp.
A Dra. Ana Cláudia e sua equipe acabam de
concluir um projeto cujo objetivo é melhorar o diagnóstico das deficiências
auditivas em crianças de 0 a 3 anos de idade.
Teste da orelhinha
O teste da orelhinha permite o diagnóstico
de perda auditiva a partir da presença ou ausência de resposta dos
recém-nascidos à emissão otoacústica (de sons provenientes da cóclea) produzida
por um equipamento portátil.
O exame, entretanto, ainda não é realizado
amplamente nas maternidades e nos municípios brasileiros em razão do alto custo
do equipamento - que custa, aproximadamente, R$ 20 mil.
Além disso, há casos em que não é possível
concluir o diagnóstico apenas com o teste, e os recém-nascidos são encaminhados
para a realização de exames complementares, feitos fora da maternidade.
No universo das crianças analisadas durante
o estudo, por exemplo, o teste da orelhinha não funcionou para 30 delas - ou
seja, não se chegou a um diagnóstico sobre se tinham ou não deficiência
auditiva.
Elas foram então avaliadas com um segundo
exame, chamado Potencial Evocado Auditivo de Tronco-Encefálico Automático
(Peate-A), que detecta as respostas auditivas dos recém-nascidos com
intensidades mais fracas.
Os resultados mostraram que, de fato,
apenas quatro tinham problemas auditivos, nenhuma delas com perda irreversível.
Na avaliação de Ana Cláudia, além do
aumento da precisão e da redução do custo do diagnóstico, a realização de
exames complementares ao "teste da orelhinha", como o PEATE-A, antes
da alta dos recém-nascidos nas maternidades, aumenta a garantia de a criança
com deficiência auditiva ser diagnosticada e receber tratamento adequado.
Isso porque é muito alto o índice de casos
de mães de bebês que falharam no teste da orelhinha e que não voltaram ao
hospital para realizar um novo teste.
Os pesquisadores também observaram durante
o estudo que crianças nascidas de parto cesárea apresentam maior possibilidade
de falhar no "teste da orelhinha" do que os nascidos por parto
normal. As razões para isso, no entanto, ainda estão sendo estudadas.
Fonte: http://www.diariodasaude.com.br/
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